O muro de concreto entre o peso e a leveza
Sempre fui um dependente orgânico. Preciso de gente do meu lado a maior parte do tempo. Pra bater papo, tomar uma, viajar e passar as horas. Definitivamente não nasci pra viver só comigo mesmo, brincando de navegar no “bloco do eu sozinho”. Quase tudo acaba acontecendo legal em coletivo. Eu preciso sentir que há alguém comigo, nem que seja só de acompanhamento, daqui ali. O peso de um abraço, de uma palavra, de ir junto no supermercado, de conversar no ônibus. Na minha república utópica, a gente moraria em 25, fora os labradores.
A maioria das pessoas temem o fim de um relacionamento, e eu, como mais um simples mortal também tenho medo de deixar que a possível tampa da minha panela saia por aquela porta e não volte nunca mais. Um dos problemas é que ela possa dar de cara com um outro caboclo e perceber que eu não era tão bom quanto ela pensava, que no bar do lado tem um rapaz que conta piada melhor, com mais carisma e um sorriso mais bonito, que tem idéias muito mais modernas e se veste mais “hype”, cheio de sabedoria e espírito esportivo. É difícil assumir, mas sempre vai ter alguém que conhece mais de Tarantino e Bergman que nós. Sempre vai ter alguém com mais “Teorias de viver” ou que “bola” mais rápido que você. Até agora, você era o cara. Mas há um universo fora desse muro de concreto. O mundo é uma grande cadeia alimentar, e, se tem uma lição que eu aprendi da forma mais dolorida com meus relacionamentos inacabados, é que, qualquer coisa que se mova é um alvo.
Outro fator de suma importância: e o tanto que dói terminar? Só quem já teve a oportunidade de se desidratar de tanto chorar depois de finalizar um namoro sabe o quanto é foda. Não existe sensação pior do que estar jogado no chão e não ter forças pra mexer a perna. Não há cafeína no mundo que te ressucite. Seu corpo passa a pesar o triplo, sempre me lembro nessas horas das aulas de física, gravidade, newtons e teu peso na lua. É, mas aqui é outra história.
Agora empurrar com a barriga é sofrer em parcela, um role meio Casas Bahia. Dez vezes, só que aqui, a última é mais cara. De qualquer forma, ainda é mais leve que tomar uma paulada de uma vez só no começo.
Seria perfeito se descolássemos a parceria concreta de uma forma rápida e indolor. Sem filtro, na veia. No começo, pra ninguém ter por onde ter ciúme de ninguém. Seria perfeito se não fosse errado.
Uma pequena vaidade minha, sofrer solitariamente. Sim, mas com outro fardamento.
É cíclico, e é a vida.
Dói, e é a vida.
Tem que ser natural. Vai chover e vai secar.
Só não pode ser assim, sendo, sabe?
Visto de dentro, tudo é maior.