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Diálogos aleatórios repetindo-se indiretamente

 

 

Supermercado, fila do caixa para compras até 10 volumes. 16h20. Dois senhores esperam para pagar suas compras, o primeiro, pão e frios, o segundo, carne moída. Peguei a conversa já rolando.

 

-         E você, tá vindo sempre aqui? Mudei pra cá esses tempos.

-         Ah, eu venho, né. Buscar a mistura do dia seguinte, não dá pra ficar em casa, não. Qualquer coisinha a muié já briga. Aproveito, passo ali na praça, vejo o pessoal.

-         Isso é verdade. Sê aposenta e a muié começa a brigar por tudo. Mas a tarde eu tô fazendo o seguinte, a patroa faz uns doces e eu vou vender. Vou de carro até o centro, deixo na minha sogra e vou passando oferecendo. Faz uns 4 anos já.

-         Que beleza. Dá pra tirar uns troco e ainda passa o tempo.

-         Com certeza. Saio, dô uma distraída. Mas bão mesmo era quando a gente era solteiro, sê lembra? Eu, você, o Adenil, o Zé ... Lembra do Zé? Vixe, esse foi cedo, hein.

-         Ah, é. Era moço bão de tudo. Pena que não durou muito,não. Pior que foi erro dele, né. Sabia que não podia andar sem o remédio, que se fosse picado ia tê problema. Não deu outra.

-         É, verdade. Ele ainda me convidou aquela vez pra ir pro sítio com ele, não fui porque a patroa não liberou. Tinha que ter tomado o remédio. Sítio, né. Sabia que ia ter uns monte de abelha por lá.

-         Mais ele nunca andou com o remédio, falava que nunca ia precisar ...

 

 

Ônibus, sem muita gente, todo mundo sentado. 20h15. Três jovens ouvindo um rap numa espécie de caixa de som portátil.

 

-         E aí, maluco, tá de boa?

-         Suave, irmão. To colando no shopping. Ta baixando uma galera do Geisel lá, nóis fica trocando idéia e pá.

-         Da hora, tem uns irmão da Vila Dutra que vai também. E teu primo, mó cara que eu não vejo ele?

-         Ele tá tranquilão. Ta andando com uns maluco lá da Vila Lemos.

-         Ixe, esses cara são meio zuado. Tem um cara que eu conheço de lá que tem 13 anos e até fuma.

-         É, eu quero experimentá um dia, mas só depois que eu fizer 14. Beber eu já bebo, já. Nóis sempre compra uns goró por aí e fica zuando as mina na pracinha lá, vamo com nóis ficar curtindo.

-         Já é, maluco. Liga eu. Puxa a cordinha aí pra mim que é no próximo.

-         É nóis, muleque.

 

(Nessa hora, ouço o som da caixinha de som diminuindo, como um fade out natural da dança dos ciclos).

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