Pouco me importa a convenção ...
Sempre fui totalmente pró-diversidade. Meu lance sempre foi admirar quem tem a coragem de possuir uma “carcaça” diferente daquele jeitão que estamos acostumados (talvez pelo fato de eu às vezes me sentir frustrado por não ter culhões para fazer nem que seja uma tatuagem). Diversidade na forma mais ampla que a palavra pode assumir, deixar bem claro que já que estamos mesmo só de passagem, vamos assumir nossas utopias e fazer de nossas atitudes e nossos corpos, instrumentos de propagação do não-convencional.
Muito me atrai também figurões populares, sejam eles bêbados serelepes que cantarolam pelas ruas em plena luz do dia, olhadores de carro que já possuíram muita grana e hoje penam para viver, hippies que vivem fazendo artesanato e que priorizam a cannabis pós-refeição à refeição propriamente dita. A sabedoria popular definitivamente não pode ser compreendida nos Best-sellers (esse conhecimento só é passado a nós com meia-hora, o intervalo de duas cervejas, ou dois dedos de prosa com algum deles no boteco mais próximo).
Essa semana tive a oportunidade de aprender por demais com uma dessas personagens que entrou e saiu de minha vida em um intervalo de duas horas e quinze minutos: uma mulher, por assim dizer já senhora, com cabelos raspados e pintados de azul, cheia de tatuagens e um piercing no nariz que tive o prazer de dividir o banco de trás de uma carona de Ribeirão Preto à Bauru. Nesse breve período de diálogo, ela fez questão de contar grande parte de sua vida, seu amor pelas suas duas filhas ( que vieram mesmo sem querer, e que hoje levam uma vida totalmente regrada, e parafrasendo Dana Beth “Filha de porra-loca sempre é freira”), seu relacionamento com o marido, que é arquiteto e tornou-se agora artista plástico, e pasmem, tem como grande sonho de infância e hobby o balé. De todo o diálogo, o que me chamou mais atenção foi quando ela disse “um dia eu cansei de tudo isso aqui. Botei a mão no mapa, fechei os olhos e disse que onde meu dedo parasse, eu me mudaria. Por causa dessa loucura, acabei vivendo dois anos em Pernambuco”. Depois disso tocou Los Hermanos no playlist, eu dei uma cantarolada e ela emendou essa “Porra, minha filha adora esses caras. Mó pena eles terem se separado. Agora o que eu acho estranho é o malucão ta pegando aquela menininha sem gracinha ...”
Qualé o saldo de tudo isso ?
A sabedoria popular acumulada com o tempo vale quanto?
Ficar fazendo plano pra quê se amanhã pode chover pra caramba e mudar todo esse roteirinho que eu escrevi.
... e se nada der certo, eu coloco a mão no mapa, faço minhas malas e torço pra cair em um lugar que faça sol.